O Estado brasileiro é “inchado”?

Em comparação com outros países, quando levamos em consideração a participação no PIB; o tamanho e as despesas do funcionalismo público; a dívida pública e a carga tributária, o Estado Brasileiro é “inchado”?

Com esta pergunta em mente – tendo a geopolítica, o desenvolvimento nacional, a social-democracia, o neokeynesianismo e a Teoria Monetária Moderna (ou MMT, em inglês) como base e horizonte de compreensão histórica (não técnica) da contribuição fundamental do Estado e da política monetária soberana como motores da economia; levando em conta que o Brasil, de acordo com dados da ONU e do Banco Mundial, possui um nível de desenvolvimento humano e renda per capta muito próximos a média global, ocupando a posição 79  entre 189 países (fato que permite uma boa comparação de nosso Estado com vários países diferentes, desde os mais pobres aos mais ricos); considerando que o Brasil precisa oferecer serviços públicos de qualidade a mais de 210 milhões de pessoas, que por sua vez compartilham um PIB per capita anual médio de 17 mil dólares (também próximo a média mundial de 19 mil dólares, ambas medidas em Paridade de Poder de Compra); bem como considerando inúmeras fontes previamente estudadas a respeito de economia, sociologia, história e política (links abaixo) – fiz uma pequena pesquisa, específica e limitada em seu alcance, para tentar compreender um pouco melhor essa ampla questão, com alguns dados percentuais aproximados (arredondados levemente para cima ou para baixo, apenas para omitir vírgulas):

FUNCIONALISMO PÚBLICO

De acordo com dados da OCDE (2015), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que reúne e analisa vários dos países mais desenvolvidos do mundo, a porcentagem de Servidores Públicos em relação ao total de empregados no Brasil, é de aproximadamente 11%, enquanto a média da OCDE é de 18%.

Nosso país possui uma porcentagem menor de Funcionalismo Público do que praticamente todos os países listados: Noruega (30%), Dinamarca (29%), Suécia (28%), Finlândia (24%), Hungria (21%), França (21%), Ucrânia (20%), Israel (20%), Eslováquia (19%), Bélgica (18%), Canadá (18%), Grécia (18%), Reino Unido (16%), República Tcheca (16%), Áustria (15%), Espanha (15%), Estados Unidos (15%), Portugal (15%), Irlanda (15%), Alemanha (15%), Itália (13%), África do Sul (13%), Holanda (12%), Turquia (12%) e Nova Zelândia (12%). Alguns países possuem uma taxa pouco menor que a brasileira, mas ainda relativamente próxima: México (11%), Chile (11%), Japão (8%), Coréia do Sul (8%) e Colômbia (4%).

Em relação às despesas com o Funcionalismo Público, o Brasil gasta apenas cerca de 13% do seu orçamento neste quesito (de acordo dados do site Our World in Data), um resultado mediano ou pequeno em relação a inúmeros outros países, como: Paraguai (55%), Honduras (55%), Jordânia (46%), Costa Rica (47%), Madagascar (46%), Namíbia (45%), Moçambique (42%), Nigéria (41%), Marrocos (40%), Argélia (37%), Tailândia (40%), Irã (39%), Nicarágua (38%), República Dominicana (37%), Malásia (31%), Cingapura (30%), Mongólia (29%), Nova Zelândia (25%), Croácia (25%), Portugal (24%), Sérvia (24%), Islândia (22%), Bolívia (22%), Turquia (21%), Grécia (21%), Chile (20%), Colômbia (18%), Peru (17%), França (19%), Romênia (17%), Rússia (16%), Indonésia (15%), Noruega (15%), Polônia (14%), Itália (14%). Além disso, quase empatamos ou gastamos pouca porcentagem a mais que outros países como: Reino Unido (13%), Ucrânia (12%), México (12%), Hungria (12%), Canadá (11%), Espanha (10%) e Estados Unidos (10%).

REPRESENTATIVIDADE DO ESTADO EM RELAÇÃO AO PIB

Os dados do mesmo site também demonstram que as despesas e investimentos do Estado brasileiro são responsáveis por movimentar de 36% a 45% do total de nosso Produto Interno Bruto (a depender de uma ou outra tabela de análise utilizada). Essa taxa é semelhante à de inúmeros países, como Argentina, Canadá e Estados Unidos (todos com 45%), porém ainda abaixo do percentual movimentado pelo Estado em países da Europa Ocidental, quase sempre maior que 50% e, portanto, muito aquém das possibilidades do quinto maior país do mundo, que se pretende construir como potência no cenário geopolítico.

Desta forma, seria possível supor, por mera dedução, que um hipotético e súbito desmonte completo do Estado brasileiro poderia levar a uma queda de, no mínimo, 36% de nossa economia, pois as despesas governamentais confundem-se com investimentos e retornam aos cofres do governo através dos impostos, estando intimamente ligadas ao dinamismo dos fluxos do mercado; à demanda por produtos e serviços no setor privado; às importações e exportações – além de outros ganhos incomensuráveis como criação de tecnologia e conhecimento filosófico-científico; a melhora nos índices educacionais, de saúde e qualidade de vida; a estabilidade e pacificação social; o desenvolvimento sustentável, bem como o estímulo para investimentos em todos os setores, públicos ou privados, gerando um ciclo positivo de emprego e renda.

DÍVIDA PÚBLICA

Em relação a dívida pública (dívida interna, em moeda local), os dados do site Trading Economics demonstram que o Brasil possui uma dívida total equivalente a aproximadamente 77% do seu PIB, ficando um pouco acima da média mundial neste quesito – porém abaixo das reais possibilidades de endividamento público de acordo com a Teoria Monetária Moderna (MMT), que afirma que países com moeda soberana possuem ampla margem de manobra para aplicar sua política em relação a tributos, câmbio, taxas de juros e ampliação da base monetária.

De qualquer modo, façamos a comparação das taxas de dívida pública em relação ao PIB entre diferentes países: neste quesito, o Brasil está abaixo de Japão (253%), Grécia (181%), Líbano (152%), Itália (132%), Cabo Verde (123%), Portugal (121%), Congo (117%), Cingapura (112%), Moçambique (110%), Estados Unidos (105%), Jamaica (103%), Chipre (102%), Bélgica (102%), Egito (101%), França (98%), Espanha (97%), Jordânia (94%), Canadá (90%), Argentina (86%), Zona do Euro (85%), Reno Unido (84%), Sri Lanka (82%), Angola (80%), União Europeia (80%) e Mongólia (79%).

Possuímos maior dívida em relação ao PIB que países como Croácia (74%), El Salvador (74%), Áustria (73%), Paquistão (72%), Hungria (70%), Gana (70%), Costa Rica (69%), Tunísia (69%), Índia (68%), Irlanda (64%), Bahamas (64%), Iemen (63%), Marrocos (63%), Israel (61%), Trindade e Tobago (61%), Alemanha (60%), Ucrânia (60%), Serra Leoa (60%), Finlândia (58%), Vietnã (57%), Suriname (57%), Quênia (57%), Guiana (57%), África do Sul (55%), Sérvia (54%), Sudão (53%), Nicarágua (52%), Holanda (52%), Malásia (51%), Uruguai (50%), Colômbia (50%), República Dominicana (50%), Polônia (48%), Eslováquia (48%), Armênia (48%), Catar (48%), China (47%), Malta (46%), México (46%), Equador (45%), Namíbia (45%), Irã (44%), Honduras (43%), Geórgia (43%), Madagascar (41%), Filipinas (41%), Tailândia (41%), Austrália (40%), Macedônia (40%), Ruanda (40%), Panamá (39%), Suécia (38%), Uganda (38%), Islândia (37%), Tanzânia (37%), Senegal (37%), Argélia (36%), Coréia do Sul (36%), Noruega (36%), Romênia (35%), Lituânia (34%), Dinamarca (34%), Camarões (34%), Etiópia (33%), Bolívia (33%), Haiti (33%), República Tcheca (32%), Taiwan (31%), Síria (30%), Indonésia (29%), Suíça (29%), Turcomenistão (29%), Turquia (28%), Bangladesh (27%), Moldávia (27%), Peru (26%), Chile (25%), Maldivas (25%), Bósnia (24%), Guatemala (24%), Venezuela (23%), Cazaquistão (21%), Luxemburgo (21%), Nigéria (21%), Paraguai (20%), Nova Zelândia (19%), Bulgária (19%), Arábia Saudita (19%), Emirados Árabes (18%), Cuba (18%), Palestina (17%), Congo (17%), Líbia (16%), Rússia (13%), Estônia (8%), Afeganistão (7%), Brunei (2%).

Entretanto, é preciso ressaltar que, de acordo com a equipe da Auditoria Cidadã, entre outros pesquisadores, o problema da “alta” dívida pública brasileira não é propriamente econômico, mas sim estrutural, devido particularmente a sua má gestão, beirando a irresponsabilidade política e a ilegalidade jurídica, porque há, no Brasil: poder exacerbado dos bancos privados; financeirização da economia baseada em papéis; liberdade total para fluxos financeiros para dentro e fora do país; ausência de transparência nas negociações que geram o endividamento público; prioridade para o controle da inflação ancorado em política de juros altos, sem qualquer preocupação com o nível de emprego; e privilégios tributários.

Desta forma, o Brasil é refém de todo um sistema montado para sugar dinheiro público e desviá-lo para o pagamento de juros altos a bancos através de títulos públicos e operações compromissadas, sem qualquer interesse público e justificativa que não seja barrar a inflação, que poderia, de outro modo, ser contida através de impostos eficientes. Mas, de acordo com a MMT, a inflação está na verdade longe de ser um problema atualmente, pois há pouco dinheiro circulando no mercado, baixa demanda de consumo, ociosidade na indústria, ampla margem para investimentos estatais, controle de juros, desindexação, etc.

CARGA TRIBUTÁRIA

De acordo com dados da OCDE (2018), em relação aos impostos, o Brasil tem um percentual de carga tributária em relação ao PIB de 32,3%, um índice abaixo da média dos países da OCDE, que é de 34,2%. Considerando que o Brasil, de acordo com dados do FMI (2019), é a oitava economia do mundo em Paridade de Poder de Compra, com evidente vocação geopolítica, em termos de vasto território e população, para se colocar entre os maiores e mais influentes Estados-nações, é natural que nossa carga tributária seja minimamente suficiente para sustentar um Estado forte e bem estruturado.

Ainda assim, a carga tributária brasileira está abaixo de diversos países muitas vezes menores, menos extensos, menos populosos e com menor vocação geopolítica altiva e independente como o nosso. Vejamos o percentual de impostos em relação ao PIB de alguns deles:

Israel (32%), Eslováquia (32%), Estônia (33%), Reino Unido (33%), Espanha (34%), Polônia (34%), Portugal (35%), República Checa (35%), Eslovênia (36%), Alemanha (37%), Islândia (38%), Hungria (38%), Noruega (38%), Luxemburgo (39%), Holanda (39%), Grécia (39%), Cuba (40%), Áustria (42%), Itália (42%), Finlândia (43%), Suécia (44%), Bélgica (45%), Dinamarca (46%), França (46%).

Na América Latina, lembrando que o Brasil é o maior e mais importante país da região, devendo portanto sustentar um Estado mais forte (inclusive no que diz respeito a Forças Armadas), os dados são estes (com Uruguai e Argentina muito próximos aos números brasileiros):

Uruguai (31%), Argentina (30%), Belize (28%), Guiana (26%), Bolívia (24%), Costa Rica (24%), Nicarágua (24%), Honduras (23%), El Salvador (20%), Venezuela (20%), Chile (20%), Equador (20%), Colômbia (19%), México (16%), Peru (15%), República Dominicana (14%), Paraguai (14%), Guatemala (12%).

Temos uma carga tributária semelhante a países como Canadá (32%), Nova Zelândia (32%) e Japão (30%). Cobramos impostos de forma um pouco mais elevada que alguns outros países do mundo, a saber: Tunísia (29%), África do Sul (28%), Suíça (28%), Austrália (28%), Jamaica (27%), Estados Unidos (27%), Coréia do Sul (27%), Marrocos (26%), Turquia (25%).

Em relação a outros países, nossa carga tributária parece elevada: Irlanda (23%), Quênia (18%), Gana (17%), Tailândia (17%), Cazaquistão (16%), Egito (15%), Camarões (14%), Cingapura (14%), Malásia (13%), Uganda (13%) e Indonésia (11%).

Entretanto, é preciso considerar também que o que torna nossa carga tributária parecer “alta” não é exatamente sua percentagem em relação ao PIB, que é aceitável do ponto de vista da geopolítica, mas sim a injustiça social interna provocada por sua incidência desigual entre ricos e pobres, contribuindo para a manutenção da desigualdade social no país e a estagnação da riqueza nas mãos de poucas pessoas. A grande questão é que ela privilegia os impostos sobre consumo, que pesam no bolso dos trabalhadores, e negligenciam os impostos sobre renda, patrimônio, lucros e dividendos, que atacariam os mais ricos.

Analisando exclusivamente a carga tributária que incide sobre a renda, ou seja, aquela que pesa no bolso da fatia mais rica da população, os dados (2019) da consultoria KPMG afirmam que o Brasil é um dos países que menos cobram impostos no mundo, estando na posição 81 do ranking dos impostos de renda mais elevados, atrás de praticamente todos os grandes países relevantes na política mundial. Enquanto a média global de imposto de renda é de 29%, o Brasil cobra nominalmente 1% a menos, ou seja, apenas 28% da renda das pessoas tributáveis é cobrada pelo governo brasileiro. Vale a pena observar a taxação de outros países – uns mais e outros menos importantes geopoliticamente:

Suécia (57%), Dinamarca (56%), Japão (56%), Áustria (55%), Finlândia (54%), Holanda (52%), Bélgica (50%), Israel (50%), Eslovênia (50%), Irlanda (48%), Portugal (48%), Islândia (46%), Luxemburgo (46%), Austrália (45%), China (45%), França (45%), Alemanha (45%), Grécia (45%), África do Sul (45%), Reino Unido (45%), Espanha (45%), Zimbábue (45%), Itália (43%), Coréia do Sul (42%), Congo (40%), Mauritânia (40%), Senegal (40%), Suíça (40%), Taiwan (40%), Colômbia (39%), Marrocos (38%), Noruega (38%), Suriname (38%), Zâmbia (38%), Namíbia (37%), Estados Unidos (37%), Armênia (36%), Croácia (36%), Índia (36%), Uruguai (36%), Argélia (35%), Argentina (35%), Chipre (35%), Equador (35%), Chile (35%), México (35%), Filipinas (35%), Tailândia (35%), Turquia (35%), Vietnã (35%), Malta (35%), Venezuela (34%), Canadá (33%), Nova Zelândia (33%), Porto Rico (33%), Moçambique (32%), Polônia (32%), Bangladesh (30%), Gana (30%), El Salvador (30%), Indonésia (30%), Jamaica (30%), Jordânia (30%), Quênia (30%), Malawi (30%), Nicarágua (30%), Peru (30%), Congo (30%), Tanzânia (30%) e Uganda (30%).

Alguns países cobram apenas um pouco menos imposto de renda que o Brasil, entre eles: Botsuana (25%), República Dominicana (25%), Honduras (25%), Panamá (25%), Eslováquia (25%), Nigéria (24%), Sri Lanka (24%), Albânia (23%), Egito (23%), República Checa (22%), Cingapura (22%) e Síria (22%).

Somente um punhado de nações cobram significativamente menos impostos sobre a renda: Afeganistão (20%), Camboja (20%), Estônia (20%), Lituânia (20%), Geórgia (20%), Líbano (20%), Paquistão (20%), Ucrânia (18%), Angola (17%), Costa Rica (15%), Hong Kong (15%), Hungria (15%), Iraque (15%), Serra Leoa (15%), Sudão (15%), Iêmen (15%), Rússia (13%), Macau (12%), Moldova (12%), Bósnia (10%), Bulgária (10%), Cazaquistão (10%), Macedônia (10%), Mongólia (10%), Romênia (10%), Sérvia (10%), Montenegro (9%) e Guatemala (7%).

Certos países exportadores de petróleo no Oriente Médio, além de pequenos países que funcionam como paraísos fiscais, sobretudo no Caribe, chegam ao cúmulo de não cobrar imposto de renda, tais quais: Antigua e Barbuda, Bahamas, Bahrein, Bermuda, Brunei, Kuwait, Oman, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes.

Finalizando, é importante salientar que ainda assim, segundo estudo da ONU (2016), o Brasil é um paraíso tributário para os super-ricos, sendo um dos únicos países do mundo que não cobra impostos sobre lucros e dividendos. Segundo dados do IPEA (2019), a tributação sobre lucros e dividendos poderia gerar uma receita de R$ 39 bilhões na arrecadação e contribuir sobremaneira para a redução da desigualdade no país, colocando o Brasil em um patamar mais civilizado de justiça social em comparação com outros países.

Diante de todos esses fatos e números, cabe perguntar a quem interessa a manutenção da falácia do Brasil como uma sociedade empobrecida que carrega um estado inchado nas costas, quando todos os dados relevantes e as análises históricas, econômicas e políticas comparadas nos colocam em patamar de Estado mediano no cenário global, muito aquém de nossas possibilidades sociais e geopolíticas? A quem interessa a eterna desmoralização e destruição do Estado brasileiro?

CONSIDERAÇÕES

Lembrando que o Brasil ainda é um país subdesenvolvido, ou em desenvolvimento, com inúmeros problemas estruturais e sociais, ao longo de 500 anos de História e depredação colonial de Portugal (diretamente), Reino Unido e Estados Unidos (indiretamente), necessitando superar inúmeros gargalos sócio-econômicos através de um Estado forte e bem estruturado, fornecendo serviços públicos de qualidade a mais de 210 milhões de pessoas com renda média em comparação a outros países – e possuindo como premissa e norte teóricos a compreensão da geopolítica, do desenvolvimento nacional, da social-democracia, da MMT e do neokeynesianismo sobre o valioso papel do Estado soberano nos ciclos econômicos e monetários – é possível afirmar, com base nos dados analisados, que o Brasil está longe de ser um “Estado inchado“, em relação a média mundial, no quesito funcionalismo público, pois não está entre os países que mais possuem servidores públicos e despesas correntes com funcionalismo, estando na média – ou abaixo da média – em relação a dezenas de outros países, ora mais ricos, ora mais pobres que nós; ora com maiores, ora com menores pretensões e potenciais que o Brasil, dada a sua natureza superlativa em população, território e recursos naturais.

Neste sentido, levando em conta aspectos políticos, históricos e sociológicos, temos um funcionalismo público condizente com qualquer outro país com índice de desenvolvimento humano e renda per capta medianos, e que possui o horizonte de alcançar mais pujança geopolítica e maior desenvolvimento sócio-econômico de seu povo com ajuda do motor estatal – tudo isto num contexto de disputa global por recursos, em que somos um dos maiores países do mundo em riqueza, extensão, diversidade e população, porém ainda com inúmeros problemas de desigualdade interna e externa.

Além disso, sob a mesma perspectiva, é possível perceber que: a atividade do Estado brasileiro, como um todo, movimenta o PIB em um nível percentual semelhante, ou abaixo da média e de suas ambições próprias, inclusive em comparação a dezenas de países distintos; que, nos limites e quesitos apontados, afirmar que o Estado brasileiro é “inchado” beira a desonestidade intelectual; e que um hipotético ataque indiscriminado aos gastos e investimentos do Estado brasileiro isoladamente (ou seja, em relação ao seu próprio PIB e orçamento), sem observá-lo sob uma perspectiva mundial, e sem comparar percentuais e médias de gastos entre vários países, é também sinônimo de um ataque irresponsável e míope à nossa própria economia e PIB como um todo.

Isto porque qualquer crítica aos gastos e investimentos estatais, quando ocorrer, deve necessariamente considerar aspectos geopolíticos, econômicos e sociológicos comparados entre as nações (pois não vivemos em uma “ilha” isolada do resto do mundo), valendo apenas como crítica pontual, bem delimitada, e especificamente discriminada, sob pena de comprometer o próprio desenvolvimento econômico do país ao tornar-se um ataque generalizado e dogmático, principalmente entre economistas “ortodoxos” brasileiros, defensores intransigentes da tese do Estado Mínimo – fato este que ocorre com frequência pelo uso de premissas neoliberais excessivamente ideológicas, ou seja: de que 1) o desmonte do aparelho estatal e 2) a austeridade fiscal e monetária, seriam paradigmas positivos e verdadeiros a priori para o mercado (ideias já devidamente descartada em artigos do FMI e do Banco da Inglaterra).

DISCLAIMER

É importante não confundir esta modesta pesquisa e reflexão sobre valores e porcentagens do funcionalismo público, bem como da contribuição decisiva do estado brasileiro na dinâmica do PIB, ambos comparados a outros países (possuindo premissas, dados e conclusões simples, e de escopo limitado) com uma suposta análise complexa sobre eficiência, qualidade e composição total dos gastos estatais do Brasil isoladamente, ou sua relação com variáveis político-econômicas internas, detalhadas e específicas (juros, poupança, liquidez, câmbio, corrupção, demanda, inflação, dívida, ciclos, setores, impostos, burocracia, desemprego, renda, etc.), algo que levaria a outra pauta sensivelmente mais técnica, extensa e complexa que esta, sobretudo se colocada em comparação com outros países, incluindo geopolítica e outros temas – como entendo que seria pertinente e indissociável, neste caso.

Por isto, em qualquer análise, faz-se necessária a discriminação específica do que se está falando em cada situação, sem generalizações apressadas (como é comum ocorrer nas críticas e ataques ao Estado brasileiro, vindos principalmente da ortodoxia liberal). Lembrando que, para ser justa, qualquer possível atualização destes dados deveria ser considerada também em relação a dezenas de países, como feito aqui, e não somente para dados do Brasil. Esclareço, além disto, que este evidentemente não é um artigo acadêmico sobre economia, mas antes uma pequena análise e reflexão de caráter histórico, cultural, político ou jornalístico, limitada ao contexto em que se insere, com intuito exclusivo de colaborar para a popularização e o debate de um assunto importante ao país, servindo como mera introdução, ou apoio, ao tema do tamanho do Estado e do funcionalismo público brasileiro, e com uma preferência declarada por um modo específico de compreensão do importante papel do Estado forte na geopolítica, do estado de bem-estar social na política interna, do desenvolvimento nacional e da moeda soberana na economia, pela via do neokeynesianismo e da MMT – porém sem fazer uso destas teorias para análise detalhada de qualidade dos investimentos e gastos estatais e suas relações com crescimento econômico. Não há aqui qualquer pretensão de esgotar esta pauta, e finalizo ressaltando que é preciso compreendermos cada texto ou discurso em seus respectivos lugares de fala, limites e propostas. Para dissipar eventuais dúvidas sobre minhas fontes, premissas e orientações político-econômicas, recomendo fortemente a leitura de todos os links abaixo.

VÍDEO RECOMENDADO

FONTES DOS DADOS

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https://read.oecd-ilibrary.org/governance/government-at-a-glance-2015/employment-in-the-public-sector_gov_glance-2015-22-en#page2
https://read.oecd-ilibrary.org/governance/government-at-a-glance-2015/public-sector-employment-as-a-percentage-of-total-employment-2009-and-2013_gov_glance-2015-graph48-en#page1
http://hdr.undp.org/sites/default/files/2018_human_development_statistical_update.pdf
http://hdr.undp.org/en/composite/HDI
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https://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm
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http://statisticstimes.com/economy/countries-by-gdp-ppp.php
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https://www.cartacapital.com.br/opiniao/a-injustica-tributaria-brasileira-em-10-pontos/
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https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/04/09/tributacao-lucros-dividendos-arrecadacao-estudo-ipea.htm
https://stats.oecd.org/index.aspx?DataSetCode=TABLE_I7
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https://statisticstimes.com/economy/projected-world-gdp-capita-ranking.php
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https://www.dicionariofinanceiro.com/paridade-poder-compra/

FONTES RELACIONADAS AOS DADOS

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https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2010/05/100520_relatorio_ocde_servidores_rw
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2016/10/30/internas_economia,555328/brasil-tem-menos-servidores-publicos-do-que-os-paises-desenvolvidos.shtml
https://www.infomoney.com.br/blogs/economia-e-politica/terraco-economico/post/5406420/funcionalismo-publico-brasil-grafico-para-mudar-sua-visao
https://www.ocafezinho.com/2019/01/20/o-emprego-publico-no-mundo/
http://brasildebate.com.br/nao-o-estado-brasileiro-nao-e-grande/
https://ambienteterritoriosociedade-ics.org/2019/03/20/divida-publica-e-dependencia/
https://auditoriacidada.org.br/conteudo/emprestimos-sem-risco-os-privilegios-dos-credores-da-divida-publica/

SUGESTÕES DE FONTES TEÓRICAS SOBRE SOCIEDADE, GEOPOLÍTICA, DESENVOLVIMENTO NACIONAL, ECONOMIA, NEOLIBERALISMO, MMT E NEOKEYNESIANISMO

http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2018/11/Dowbor-_-A-ERA-DO-CAPITAL-IMPRODUTIVO.pdf
http://ghiraldelli.pro.br/economia/andre-lara-resende.html
https://jornalggn.com.br/artigos/brasil-e-argentina-tragedias-neoliberais-por-andre-motta-araujo/
https://jornalggn.com.br/politica/mitos-liberais-produtividade-competitividade-economia-aberta-por-andre-motta-araujo/
https://jornalggn.com.br/artigos/tudo-na-mais-perfeita-ordem-o-mundo-dos-economistas-de-caixinha-por-andre-motta-araujo/
https://jornalggn.com.br/artigos/bateu-o-desespero-por-luiz-carlos-bresser-pereira/
http://dowbor.org/2019/04/dowbor-economia-para-quem-jornal-dos-economistas-corecon-rj-e-sindecon-rj-maio-2019-n-357-issn-1519-7387.html/
https://jornalggn.com.br/internacional/a-nova-teoria-economica-nos-eua-teoria-da-moeda-moderna-por-simone-deos/
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https://jornalggn.com.br/artigos/os-genios-que-entraram-na-garrafa-e-toparam-com-a-lei-do-teto-por-luis-nassif/
https://jornalggn.com.br/coluna-economica/um-pais-dominado-pela-burrice-institucional-por-luis-nassif/
https://www.amazon.com.br/Modern-Money-Theory-Macroeconomics-Sovereign-ebook/dp/B0161IX5RO/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=ESAIFHL6QMFK&keywords=modern+money+theory&qid=1558097307&s=gateway&sprefix=modern+money+the%2Caps%2C274&sr=8-1
https://www.amazon.com.br/Capital-no-S%C3%A9culo-XXI/dp/8580575818
https://www.amazon.com.br/Soft-Currency-Economics-II-MMT-ebook/dp/B009XDGZLI/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&keywords=soft+currency+economics&qid=1558097471&s=books&sr=1-1-catcorr
https://www.amazon.com.br/Chutando-escada-Ha-Joon-Chang/dp/8571395241/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=2KTNHHKIBCJ8A&keywords=chutando+a+escada&qid=1558097501&s=books&sprefix=chutando+%2Cstripbooks%2C256&sr=1-1
https://auditoriacidada.org.br/
https://jornalggn.com.br/artigos/a-saida-fiscal-pode-estar-na-emissao-de-dinheiro-pelo-estado-por-everton-sotto-tibirica-rosa/
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