Mandarim, uma bela língua tonal. É difícil de aprender?

O Mandarim é a língua mais falada na China, sendo também seu idioma oficial. Ele é também a língua mais falada no mundo, possuindo cerca de 886 milhões de falantes nativos, e outros 120 milhões o conhecem como segundo idioma. A língua padrão de Pequim se espalha pela maior parte do território chinês, sobretudo do norte ao centro do país. Também é falada em outros países, como Cingapura, Malásia e Taiwan.

Seu nome, mandarim, deriva do nome dos funcionários públicos de alto escalão com os quais os comerciantes e navegadores portugueses mantinham contato durante a Idade Moderna (Dinastia Ming). Com o tempo, a língua utilizada por esses conselheiros de estado chineses também começou a ser chamada de mandarim. Sua origem remonta há milênios, e suas representações escritas mais antigas remontam ao séc. IV a. C.

Apesar disso, ainda existe controvérsia a respeito de o mandarim ser ou não um idioma, porque uma parte dos linguistas o considera, na verdade, uma das variantes da língua chinesa, que seria composta por vários dialetos diferentes, entre eles o mandarim e o cantonês. Outras línguas também são faladas na China por minorias étnicas, como o uigur, o tibetano, o mongol, o tai, o lolo, e o miao.

MÚSICA PARA OS OUVIDOS

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Uma das características mais interessantes do mandarim é que ele faz parte da família de línguas sino-tibetanas, conhecidas principalmente por serem línguas tonais. Esse tipo de idioma faz uso de diferentes tons para diferenciar o significado das palavras, ou seja: a entonação que o falante dá à palavra tem enorme importância nesse idioma, sendo preponderante para a compreensão plena dos sentidos – ao contrário de línguas ocidentais, em que as palavras podem ser compreendidas mesmo com tons alterados. Enquanto aqui eles servem mais à ênfase lírica ou subjetiva na composição das frases, na China os tons fornecem, de fato, significados concretos ou objetivos.

Por exemplo, a maioria das línguas ocidentais – e até mesmo o coreano ou o japonês no Oriente – não usam tons como parte de sua semântica, ou seja, os diferentes sons não alteram substancialmente o significado das palavras, apenas expressam ênfases ou sentimentos.

Já no mandarim, no cantonês ou no vietnamita, por serem línguas tonais, a pronúncia faz toda a diferença na compreensão semântica. Uma palavra com a mesma escrita (no alfabeto latino) pode ter vários significados distintos, dependendo da pronúncia. Em chinês, a sílaba ma, por exemplo, pode ter quatro significados: mãe, maconha, cavalo e praguejar.

O mandarim possui 4 tonalidades básicas: o primeiro tom é alto e constante; o segundo é alto e ascendente; o terceiro é emergente (inicia neutro, descende e ao final ascende); já o quarto tom é descendente, com uma forte queda no final.

As línguas tonais podem ser bastante complicadas para um ocidental iniciante no seu aprendizado, porém também são belas e misteriosas por suas nuances, detalhes e musicalidade intrínseca, já que as notas e tons são componente básico de sua estrutura. Portanto, dominar o mandarim também significa ter a pronúncia, a dicção e os ouvidos muito bem treinados, atentos a pequenos detalhes. Alguns pesquisadores afirmam que certas línguas ocidentais também eram tonais na Antiguidade, como o grego, mas perderam essa característica com o passar dos séculos.

PERGUNTE A UM ANALISTA

Outra singularidade do mandarim é que ele é um idioma analítico, ou seja, os morfemas são livres e com significado próprio. Isto quer dizer que não há junção de significados de tempo, pessoa ou modo numa mesma palavra. Por exemplo, em português a palavra “fui” representa o verbo ir, mas também fornece o sentido da pessoa que diz o verbo (primeira pessoa do singular) e o tempo em que o verbo é exercido (passado). Numa língua analítica, cada uma dessas características é representada em palavras separadas, ou ficam subentendidas no contexto da frase. Isso também contribui para que o chinês oficial seja uma língua praticamente monossilábica ou dissilábica, de modo que suas palavras são bastante curtas e intensas.

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Além disso, ao contrário da maioria dos idiomas escritos, o mandarim hoje não possui um alfabeto, ou seja, uma escrita puramente fonética – muito embora seja atualmente escrito também com o alfabeto latino (sobretudo no sistema pinyin), e em um curto período do passado (Dinastia Yuan) também tenha sido escrito com uma espécie de alfabeto. A língua oficial da China é representada sobretudo por ideogramas (ou “logogramas”) que permanecem quase inalterados desde a Antiguidade. O mandarim possui cerca de 80 mil caracteres (conhecidos como hanzis), enquanto apenas 7 mil são os utilizados com maior frequência. Para compreender a leitura de um jornal, por exemplo, é necessário conhecer pelo menos 2 ou 3 mil caracteres, que são análogos a “placas”: representam conceitos concretos ou abstratos. Você sabe exatamente o que significam ao vê-los, de forma semelhante ao observar uma placa de trânsito indicando “pedestres”, “animais na pista” ou “veículos pesados mantenham à direita”. Com os caracteres chineses, ocorre basicamente o mesmo processo de leitura e compreensão textual.

De qualquer modo, se pensarmos que o mandarim não possui conjugações verbais, como o português (eu faço, tu fazes, ele faz, nós fazemos, etc.), o aprendizado dessa língua oriental já não parece tão complicado. Em relação aos tons, no português também os temos, embora em um grau de uso muito menor que no mandarim. Pense, por exemplo, nas palavras Para (do verbo parar) e Pará (o estado brasileiro). A palavra é a mesma, mas a sua pronúncia muda o sentido. Nesses casos, o contexto da frase também ajuda a identificar a palavra para o leitor ou o ouvinte.

A LÍNGUA QUE CONECTA O MUNDO

Hoje, a Ásia como um todo, e especialmente a China, está se tornando o centro industrial e econômico do mundo. O país dos antigos funcionários mandarins possui a maior população do planeta, com cerca de 1,4 bilhões de habitantes e se encaminha para ser a maior potência da Terra em breve. A China já é atualmente a maior parceira comercial do Brasil. Portanto, sua cultura também está em evidência.

Por isso, o mandarim é uma língua cada dia mais estudada no Ocidente, seja por jovens universitários que desejam fazer intercâmbio em Pequim, seja por homens e mulheres de negócios a procura de novas oportunidades em Xangai, ou simplesmente por pessoas comuns interessadas em dominar um segundo ou terceiro idioma. Neste sentido, as previsões indicam que o mandarim é a língua certa para aqueles que desejam estar conectados com o futuro global.

SAIBA MAIS

http://mundodozidiomas.blogspot.com/2015/03/linguas-tonais.html https://en.wikipedia.org/wiki/Mandarin_Chinese
https://www.10winds.com/50languages/did_you_know/PT032.HTM
https://forum.wordreference.com/threads/are-chinese-lyrics-difficult-for-native-speakers-to-understand.2491375/
https://www.fluentin3months.com/chinese/
https://www.fluentin3months.com/tonal-languages/
https://www.historiadomundo.com.br/chinesa/lingua-chinesa.htm
https://www.suapesquisa.com/paises/china/mandarim.htm
https://chinavistos.com.br/mandarim-aprender/
https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_anal%C3%ADtica

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